Daniela Saldanha

Libriana, paulistana, formada em Publicidade & Propaganda, também em Estética & Cosmetologia, estudante de Direito mas, nem por isso, perdida na vida.

Já fui tosadora de cachorro por amor, estagiária de mídia por sorte, assistente de marketing por azar, empresária por escolha... Mas as coisas não deram muito certo...

“Caí” no curso de Direito meio que por acaso, se é que existe acaso... Acho que foi sorte e escolha. Trabalho na área jurídica e espero o que a vida me reserva (mas já consigo fazer alguns planinhos).

Sou difícil pra gostar das coisas, acho que por ser crítica demais, mas quando isso acontece, aí vira paixão! Sou intensa, mas em poucas coisas (e, nestas, muito). Não me envolvo com a maioria delas. Mas, estranhamente, sou um tanto sensível...

Adoro comida japonesa, bicho, forró, homem inteligente, cantar, massagem, viajar, Caraíva, gente que sabe dançar, dormir, zen, música brasileira, ofurô, meus amigos, pessoas estranhas, chocolate... Dependendo do dia, a ordem muda.

Não gosto de muita coisa. Mas estou aprendendo a lidar com elas. E assim, vou tentando viver a vida de uma forma mais leve...

Neste Blog
Tudo que vem à cabeça sobre todos os assuntos, meus e alheios.

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Mãe, joga fora os óculos!!
Aumenta a letrinha!!

Suspeito isso...

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Sentidos**



Domingo, Maio 03, 2009

Espelho

Aquilo que lhe fizera chorar, doer, morrer, agora, podia ver ao olhar pro espelho. E tudo ficou tão claro e, ao mesmo tempo, tão triste... Sentiu vontade de mudar o que era injusto, mas percebeu sua fraqueza diante do que não se controla. Estava tão cansado pra pensar nisso agora... Era melhor assim... Deixar que as coisas acontecessem por si, sem que precisasse interferir. Assistir tudo numa tela grande, com sentimentos de espectador. Exausto. No conforto aconchegante daquilo que não é real... E, apesar da calma, sentia uma quase saudade da sua dor. Mas não adiantava olhar pro espelho. O reflexo só mostrava o quanto também podia ferir... Sem querer. E aquilo não o tornava desprezível, só humano.

Quarta-feira, Abril 01, 2009

Carnaval

Era uma vez uma borboleta. Uma não... Várias! No estômago. Encantadoras! Sabiam voar de um jeito capaz de hipnotizar. Piruetas delicadas, manobras inteligentes, cores sedutoras... Quase suspeitas. E lá se foram, atuando perfeitamente, cumprindo o que se espera de uma borboleta e até um pouco mais...

Mas, como naqueles filmes de invasão alienígena, em que os ETs são bonzinhos no início, depois mostram suas garras – e a verdadeira intenção de destruir o planeta –, as borboletas, enfim, mostraram sua verdadeira face.

Não! Pasmem! Não eram inocentes mariposas querendo forjar uma beleza que a natureza não lhes deu. Não, não, não... Nem eram mosquitinhos de verão, que se atraem pela luz e são chatinhos e covardes (coitados...). As falsas borboletas eram, na verdade, marimbondos disfarçados em asas e cores, fantasiados para o carnaval: a festa do FAZ-DE-CONTA. Sim! E se sentiam “muito bem, obrigado” no papel de borboletas. Rodopiando, confundindo e manipulando.

No estômago, porém, sentiram-se molhados, ácidos. As asas caíram, como lantejoulas em quarta de cinzas. As cores se dissolveram. E o inevitável aconteceu. Os ferrões perfuraram sem piedade a mucosa gástrica, todos de uma só vez. Gosto de sal na língua, inchaço sufocante. Veneno entre hemácias. Hemorragia interna... E, desta vez, não adiantariam pontos.

Sábado, Março 07, 2009

Rede amarela

Aos 83 anos, deitada em minha rede amarela (que não é minha, é bem verdade), dou uma cuidadosa e detalhada repassada na vida que tive. E tenho ainda, claro! Até depois de amanhã, quando passarei desta pra melhor... Melhor pra quem, cara pálida? Deixa pra lá...

É engraçado pensar por onde já passaram estas pernas flácidas e dormentes. Passaram por brincadeira de elástico, ciranda e quadrilha. Por dança, corrida e musculação. Areia, neve, rio, mar... Passaram por depilação, massagem e cama alheia. Gesso, muleta... Já sentiram muita dor! Muscular, postural, de amor e sacanagem. Agora, só dormência.

Duvido que esta vida seja realmente minha. Porque muito do que vivi, eu não vivi por mim. Tirando a infância, quando fui plena e verdadeiramente eu (e, nem por isso, protegida dos males do mundo), sempre vivi por alguém. Por um amigo, pelos amigos, pelos filhos (e eu tive oito!), pelos outros, pelas outras, por um amante, por um amor... E doeu. Não o amor. Esse também, mas isso é normal. Doeu viver uma vida que não a minha, porque isto vai contra o natural. Ah! Mas, se eu soubesse todas as causas do sofrimento, teria ficado rica e esta rede amarela, hoje, seria minha.

É bom pensar nos lugares em que estive. Fui a Tatuí e à Índia. Fui a Itajubá e ao Marrocos. Fui ao Canadá... À Bahia, à Paris... Ah, Paris! Será que estive realmente lá? Terá sido só um sonho, um plano? Talvez estas pernas dormentes nem tenham tanta quilometragem assim. Devo estar caducando... Sempre tive pavor disso! Depilação, ok. Dor de amor, também. Mas caducar... Sorte que não vai dar tempo. É depois de amanhã.

Agora, olhando estas pernas flácidas, não me arrependo de nada do que fiz, senti e vivi. Mesmo que não tenha sido por mim... Afinal, viver por si é coisa de planta, fotossíntese! Essas vidas todas me fizeram viva! As camas alheias me mostraram como, às vezes, é bom esquentar. Os gessos me mostraram lindas dedicatórias e como sou digna de ser amada... As cirandas me mostraram que tudo sempre volta ao começo, mesmo que com uma cara diferente. E a neve me mostrou como é preciso, às vezes, esfriar... Dos amigos, eu guardei cada palavra, cada sorriso, cada sim e cada não. Meus filhos são mesmo do mundo. Todos os oito! Canadá, Tatuí, Índia, Paris! Ah, Paris!

É muito verdade que, quando velhos, voltamos a ser criança. Porque, agora, sou plena e verdadeiramente eu (e, por isso, protegida dos males do mundo) aqui na MINHA rede amarela... Até depois de amanhã, quando passarei desta... Sei lá.

Domingo, Fevereiro 15, 2009

Como sempre

Ânsia de reciprocidade...
Minha calma tão inteira em você.
Perto...
Meu amor além do que devia.
E devia?
Dança. Intimidade do avesso.
Arrepio como nunca...

Ânsia de claridade...
Sua certeza tão metade em si.
Falta...
Meu amor aquém do que devia.
Deveria.
Torpor. Angústia invertida.
Corte como sempre...

Ânsia de possibilidade...
Sua calma tão parcial em mim.
Longe...
Meu amor além do que devia.
Não devia!
Dor. Choro do inverso.
Cicatriz como sempre...

Ânsia de tempestividade...
Minha dúvida tão ressentida em nós.
Falha...
Meu amor além do que devia?
Devia.
Dor, torpor e dança. Choro do avesso.
Cicatriz de incerteza.
Certa em mim.
Certeira. Em mim...

Segunda-feira, Fevereiro 09, 2009

Fragmentos

Acordei de um jeito esquisito hoje. Não! Não esquisito... Eu (comigo mesma, âmago, rs) sei que não é esquisito. Começo de novo: acordei de um jeito velho conhecido, que me faria escrever coisas que há um tempo decidi não escrever mais. E vou manter minha palavra!

Mas, por hora, como solução estilo mutretinha (rs...), resolvi tomar emprestada a poesia – linda, aliás! – do meu querido, querido, querido (sim, é tudo isso querido!) amigo Luiz, porque, curiosamente, hoje, ela está em mim.

O blog dele está nos meus favoritos, mas pra facilitar: Do Gómez

Luli, sinto muita saudade. Amo-te!


Fragmento de mim

São milhares as partes em mim,
Espalhadas em partes que não entendo,
Partes que não toco e não ouço e não vejo
Partes que existem apenas, porque sinto
Porque sei que a vida só vive se há sentimento.

Mas e as partes de mim que não são,
Não sei,
Não vem, nem vão.
Partes que juntas, me fazem todo.
Todo do que sequer sou metade.
E meu coração, de emoção partido.
Amor que se parte,
E um peito que bate doído.

E esta parte de mim que não sente?
Meu coração que não bate
Ou que bate burocrático,
Jogando apenas pelo empate.

Mas e a parte de mim que não pulsa?
A parte alheia ao meu corpo.
O músculo que não se mexe, que não sente dor.

E a parte de mim que se esconde?
Que não se revela.
Que não sai de mim.
Será mesmo uma parte de mim?
Ou apenas uma parte do que imagino ser?

E a parte de mim que não chora?
Que ignora a tristeza,
Que não sabe chorar,
Uma parte triste. Que triste.

E a parte de mim que te espera?
Que pede carinho,
Que quer um abraço,
Que sofre e fica carente, doente.
Parte que existe em mim o tempo todo,
Porque estou vivo.
Porque sou assim.
Porque sou humano.

Mas e a parte de mim que não sonha?
E que por isso mesmo não encara a realidade.
Parte que não dorme,
Sangrando minha aflição,
Derramando no chão meu desespero,
Minhas lágrimas, meus amores,
E tudo mais do que é feito a vida.

Pedaço de mim que não nego,
Porque não me pertence.
Porque é um todo do qual sou pedaço.

...

Fragmento de mim!
Fragmento!
Fração que se espalha e que eu não entendo.
Que eu não posso enxergar.
Que me supera
E me cora o rosto
Que me ergue aos céus
E que me faz voar.
Que me derruba aos prantos
E finca meus pés no chão.

Inteiro, eu?
Pudera...
Serei sempre parcela. Parcial.
Multiplicando os espaços do meu coração.
Tentando guardar nestes cantos, um pedacinho do mundo.
Assim...
Sonhando cravar na vida, no mundo, nos outros,
Um pedacinho de mim.

Quinta-feira, Janeiro 15, 2009

Borboletas

Em tempos de borboletas no estômago, fica difícil respirar. Suspeito que as danadas migram através dos tecidos e entram por todas as frestas, invadindo brônquios, bronquíolos e alvéolos pulmonares. Mas como é boa essa falta de ar! Meu velho estômago embolorado há muito vinha se contentando com mariposas e mosquitinhos de verão. Ah! Mas as borboletas! Elas são bor-bo-le-tas... E apesar de me tirarem o ar (e a fome), trazem cor a tudo. Até àqueles relatórios chatérrimos no meio da tarde de terça-feira. Porque, nessa hora, o cérebro, que devia estar focado nas benditas planilhas, também está tomado por asas azuis, vermelhas, multicoloridas. Até o trânsito nem parece mais tão pesado assim. Tudo leve... Ninguém estranhe se qualquer hora eu sair voando!

Quinta-feira, Dezembro 11, 2008

Dubard

Era como se pudesse sentir o que vinha daí e o sem fim desse sentimento. Consciência da minha imensidão de universo, meu transbordo de amor, aquilo que sou de verdade. Completude. Olhos que escorriam felicidade, sem fim, sem fim... Abraço de alma. Um minuto. Trinta segundos. Eternos... E daqui, puro amor, sem espera ou expectativa. Gratidão. Abraço de alma. Imensidão. Gostosura de afeto que jamais sai de mim. Não sai não... Que bom.

Terça-feira, Setembro 23, 2008

Silêncio

Um calor lhe preencheu as entranhas desconfortavelmente. Mas o desajuste vinha do medo de se deixar aquecer. Não era como medo de mar. Nem sabia se era medo. Talvez, fosse só vício de medo, de dor. Sintomas da abstinência. Talvez, fosse só incompreensão do que poderia ser felicidade sem uminha cicatriz sequer. Havia tempos não se sentia assim... Um não sei quê de sorriso sempre lhe tomando a face... Uma clareza iluminando os olhos e o pensamento. Uma sensação de abraço infinito... Silêncio.

Sábado, Julho 19, 2008

Dandelion

E, de repente, a vida se encheu de cor. Como se estivesse vendo tudo pela primeira vez. Olhava, encantada, cada detalhe dos objetos (velhos conhecidos?). Sentia os novos sabores com intensidade. Como pôde, antes, não ter notado? E a vida se encheu de amor. Como se estivesse sentindo tudo pela primeira vez. De certa forma, era isso. Porque, agora, era amor de verdade... Amor sem dor, quentinho, retribuído... Não como moeda de troca, mas espontâneo... Só amor. Então, aquele corpo, antes cansado, acostumado, mecanizado, tornou-se cheio de vida, brilho, vontade. Levantou e andou, com certeza, força, coragem. Simples assim.

Domingo, Março 09, 2008

Pastel de Vento

Vazio não é vazio e só. É pastel recheado de vento. Que congela o peito quando queima a boca. Congela o sentimento. O vazio não existe até que explode pra fora da massa quando a gente tenta morder aquilo que não é pra gente, não é da gente... E dói tanto porque é massa de ilusão. Crocante e sequinha. Mas contém falta. Falta de chão. Contém decepção. Vazio de palavra diante do que não se espera.

Sexta-feira, Fevereiro 22, 2008

Mensageiro

Aquilo que fazia vibrar de verdade, e suar, e corar... Aquilo que era real, pra sentir, pra consumir. Que valesse a pena... Não angústia imaginária, vapor de ansiedade. Era o que esperava. Buscava, entre as letras coloridas, adaptar-se ao comportamento do mundo, depois de tanto tempo recolhida em casca. Decepção. Sair da casca dói. Letras vazias doem. Uma dor pela outra. Mas, cores não mostram sentimentos. Formato e realce diferente. Sem graça. Riso construído em cinza. Sem tom. Mentira fácil. Cansaço... Desistiu. Mas a casca não tinha conserto.


Amor ciência

Lição n° 1

Demonstração de Equações Amorosas, em que:

PC = Pessoa Certa
PE = Pessoa Errada
MC = Momento Certo
ME = Momento Errado

2PC + 2MC = AMOR
PC + PE + 2MC = Psicose aguda
2PC + ME + MC = Desgaste
2PE + 2MC = Frustração
2PC + 2ME = Sofrimento
2PE + 2ME = Distração

Próxima aula: Lição n° 2 Influência do elemento Q, em que:

Q = Química

Que?

Terça-feira, Janeiro 29, 2008

Orla

Diante do mar, sentiu-se num impasse. Encantado por sua beleza e imensidão, sabia o quanto a água fria podia ferir. Fazia tanto tempo... Talvez não soubesse mais nadar. Tocou a espuma com os dedos descalços. Prazer... Mas, uma coisa era tocar a espuma aquecida pela areia com a ponta dos dedos. Outra era mergulhar de corpo e alma entre ondas frias, gigantes. A brisa lhe soprou um conselho imprudente no ouvido direito. O sol trouxe o aconchego de um abraço morno... Prudente demais. E se entrasse com cuidado? Talvez não conseguisse voltar do mesmo jeito. E pior que não entrar ou entrar de vez é ficar preso no raso, água pela cintura, numa força desumana pra não se afogar e nem ser arrastado de volta para a aspereza da areia. Tirou a camisa. Sentou-se na areia úmida. Impasse.

Fotografia

Olhou para o outro lado e observou os objetos deixados sobre a estante. Despretensiosamente. O corpo inspirou o incenso suave e absorveu a brisa. Exausto. A carícia morna lhe acalmou a pele. Mas não estava ali. O sorriso lhe falou sobre os planos que tinha, de olhos fechados. Em vão. Retribuiu o afeto. Mecanicamente. Mas, o abraço, não pôde... Prolongou-se ante ao instante de antes. Tanto. Breve e nunca lúcido. Nem um segundo. Antes, mais entregue... Deu-se conta de que não era mais. Talvez nunca tivesse sido.

Mundo em voltas

Tua presença, agora, é confortável. E, ainda assim, é motivo pra sorrir, pra levantar de manhã, pra correr atrás do que quero. Você aí, eu aqui. E é bom te ter por perto. Longe. Você aí, indo bem... Eu aqui, torcendo. Admirável tudo que vem daí. E só assim dá certo. Perto. Expectativa de um abraço amigo. De um sorriso a mais. Uma palavra... Só minha. Conforto na tua presença. E na ausência. Por saber onde está. Nunca me disse que posso contar. Mas eu sei.

Sexta-feira, Janeiro 18, 2008

Tear

Não sei mais se aquele momento existiu. É que a memória engana. Juro que disse o que disse... Mas quem ouviu? Ela? Todos eles? A certeza das palavras que me foram ditas fica pálida quando sonho com a mesma cena, outros personagens e fala oposta. Nem posso dizer se estava sóbrio. Se sonhei, se cantei, se fiz piada... Ou se foi conversa de tom sério. Dessas engravatadas. Penso. E a memória traz cheiros, sabores. Realidade certa. Mas também já me pergunto se os adicionei ao contar e recontar cada vez mais do meu jeito.

Terça-feira, Janeiro 08, 2008

Dois ou um

O que doeu naquela escolha não foi o medo do caminho torto, mas a perda de todas as outras possibilidades. Assim eram todas as escolhas. Contrair. Mas, como? Sentia-se evaporar em hipóteses. Restringir. Mas queria braços longos o bastante e abraçar tudo o que podia. Dali em diante, passou a decidir por sorteio e viveu o resto em faz-de-conta.

Segunda-feira, Dezembro 24, 2007

Sininho

A mão pequenina feriu o coração ao aceitar a despedida e acenar o adeus desajeitado. Aquela chegada aqueceu sua existência como brisa morna. Por que a brevidade? Queria aquele sorriso mais um instante. Não teve tempo de balbuciar seu sentimento. Acompanhou com os olhinhos brilhantes até que sumisse na distância, apontando o dedinho para a pequena amostra do que a esperava na vida adulta. Soluço...

Quarta-feira, Novembro 21, 2007

Pluviosidade

Sonhei com uma chuva que me protegia e preservava de toda rudeza do mundo. Chuva que me queria bem e me fazia fluir entre desaprovações sem qualquer dor. E me carregava no colo, fazendo com que visse tudo o que me aflige, mas debaixo d’água. Pareceu tudo mais leve. Hidroginástica... Ela me tirava pra dançar e me girava em seus braços e voltas, fazendo sorriso.

Sonhei com essa chuva de olhos transparentes e coração puro. Chuva que lavava minhas tensões e me convencia de que posso voar. Ternura. E me acolhia, fazendo sentir saudade de tempos sem medo. E me fazia lembrar de quanto a admirava, com sede de abrangência. Mostrava como é ser chuva admirada. Precipitação observada. Leveza no querer, com ímpeto certo. Agora sou um pouco chuva...

Segunda-feira, Novembro 19, 2007

Com sua licença, Silvia!

Tava dando um "bizóio" no blog da minha querida amiga Silvia Curiati (é o Salón Comedor, está no "suspeito isso", aqui embaixo, ó!) e encontro esta beleza de post... Sil, com sua licença, direitos autorais e blá-blás mais, transcrevo abaixo parte dele... Lindo! Saudade, Sil!! Beijo pra você!

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Começos

Alguns testam a temperatura da água de uma piscina molhando os pulsos e a nuca, para climatizar o corpo. Observam a reação da pele, percebem se seria ou não violenta a mudança de ambiente, e decidem se vão molhar as pernas, caminhar um pouco lá dentro movendo os braços e entrando, vagarosamente, até o pescoço, optando por manter os cabelos secos. Para alguns, não é necessário molhar a cabeça.

Talvez molhar a cabeça seja um ato de entrega. Dizem que não devemos deixar um desconhecido, ou pessoas com energia ruim, tocarem na nossa cebeça. Vai ver que enfiá-la embaixo d'água represente isso também.

Mas eu sou do tipo que mergulha, pula, entra com tudo e sorridente. Tira 3 camadas de roupa ao pé de uma cachoeira, sob uma temperatura de 5 graus, e encara a água.
Depois passa frio, porque o sol pode ser encoberto por nuvens. Passa desespero porque começa a tremer e a toalha está longe. E mesmo conhecendo as conseqüências deste meu impulso, o prazer de entrar de cabeça ainda me atrai. Até porque, nem todas as águas causam efeitos colaterais nagativos. Algumas abraçam e acolhem.

Por que começar pelo fim e terminar pelo começo?
Já diria a canção... every new beginning comes from some other beginning's end.
Se não acaba, não começa. Se não há vontade de início, não há estímulo para fim.
I know who I want to take me home.




Quinta-feira, Novembro 15, 2007

Amor de pensamento

Passou muito tempo pensando no encontro. E lembrando beijos, cabelos desgrenhados em mãos, corpos suaves. Encaixe. Não sabia mais o que era real, desejo, saudade... Amor até. Sentia sua presença sufocante, agradável, sempre ali. Sem esquecer...

Mas, frente-a-frente, desencaixe nos olhos sem o brilho dos pensamentos. O Beijo tinha gosto de lembrança errada. As palavras não fluíam ritmadas. E já não sabia o que era real, desejo, criatividade... Engano talvez. Sentia sua presença distante, incompleta, sempre assim. Só restava esquecer...

Terça-feira, Novembro 06, 2007

O mundo é dos espertos. Skavurska é o Papai Noel... E trouxa é você (ou eu)!

- Mamãe, por que o papai sempre fica bravo quando fala com o homem da TV no telefone?

- Que homem, menino?

- O homem legal que aparece na TV, que dança... Que tem um chapéu engraçado... Aqueeele, mamãe... Da festa... Que fala “skavurska”!

- Aaaah! Sei... Sabe, filho... Esse homem é muito mau... Igual a bruxa da Branca de Neve, sabe? Se faz de boazinha e dá uma maçã envenenada pra ela... Igual ao Lobo-mau que se finge de vovozinha... Nesse naipe!

- Naipe?

- Deixa pra lá, filho... Vai brincar com o Totó. Daqui a pouco seu pai se acalma...

Sexta-feira, Novembro 02, 2007

Não mais nós

Se não te quero mais, que saiba por mim, e não pelo que andei dizendo por aí. Que saiba por minhas letras, e não pelo que alguns já possam supor. Que saiba agora, como um afago que te fere o ego e te arranca a opção. Que seja página que se vira e enterra o sentimento que outrora enfrentou a razão.

Se não te espero mais, que saiba assim, e não pelo que andei cochichando em todos os lugares. Que saiba por minha boca, e não pelo que possam dizer por ela. Que saiba nesta hora, como um beijo que te corta a carne e resolve a encruzilhada. Que seja sede que se afoga em água e confirma o indício.

E não mais meu beijo, meu calor, meu ar. Não mais meu laço, meu nó... Que abrace as conseqüências. Eu desenrosco... E isso fica sem nós.

Sexta-feira, Outubro 26, 2007

Ainda nós

Se te quero ainda, que saiba por mim, e não pelo que andei dizendo por aí. Que saiba por minhas letras, e não pelo que alguns ainda possam supor. Que saiba agora, como um tapa que te afaga o ego e te devolve opção. Que seja página que se desvira e aflora o sentimento estancado pela razão.

Se te espero ainda, que saiba assim, e não pelo que andei gritando pelos cantos. Que saiba por minha boca, e não pelo que possam dizer por ela. Que saiba nesta hora, como um tiro que te beija a carne e te reapresenta encruzilhada. Que seja sede que se declara e confirma o indício.

E que tome meu beijo, meu calor, meu ar. Que tome meu laço, meu nó... Eu abraço as conseqüências. Eu enrosco... E isso fica entre nós.

Quarta-feira, Outubro 24, 2007

O cravo e a rosa

Em outra vida, ele foi uma lâmpada. Ela, uma mariposa, cega e encantada. Coitada! Morreu queimada e torrou o filamento dele. E essas coisas de carma são um problemão. Dizem que, se ficou uma pendência, um caso mal resolvido, uma firula qualquer, você está perdido, meu amigo, porque vai ter que encontrar a pessoa (que também pode ser um objeto ou animal) na vida atual pra resolver a pendenga. Agora, imagina olhar pra cada figura e não saber quem ela é por dentro. E pior, não saber qual a tal pendência! Cruzes!

Enfim, naquela vida, não conseguiram resolver a relação. É, a lâmpada e a mariposa... Ou melhor, “o lâmpado” e a mariposa. Aquela era uma relação estranha e complicada. Beijo de lâmpada não combina com abraço de mariposa. E não foi possível estabelecer um diálogo. Também, os tempos eram outros... Foi difícil encontrar um tradutor que soubesse falar watts e zumbido. Watts, ok. Zumbido, um pouco mais difícil. Mas, que falasse os dois, que eu saiba, nunca existiu.

Enganam-se os que pensam que, porque nesta vida vieram humanos, tudo está mais fácil. É, a mariposa e “o lâmpado”... Eles vieram pessoas humanas (porque têm as que não são), homem e mulher (olha só que sorte! Podiam ser uma vaca e uma faca), mas parece até que ele continua a ser lâmpada e ela, mariposa, cega e encantada. Coitada!

Ele acende, ela cega. Às vezes, meia fase, mas ela cega mesmo assim. Encantada, coitada! O mais estranho é que, apesar de serem humanos, homem e mulher, falarem o mesmo idioma (olha só que sorte! Podia um falar hindi e o outro, tcheco), nunca conseguiram estabelecer um diálogo.

Essas coisas de etiqueta, tudo bem, flui que é uma beleza... Até parecem bem amigos. Mas ele não consegue dizer que as asas dela são lindas, mesmo que cinzas... Que ele acende por ela. Ela, muito menos, que ele ilumina sua vida e lhe dá norte. E, dessa vez, nem é falta de tradutor. Abraço de lâmpada não combina com beijo de mariposa... É carma.

Pelo jeito, ela vai continuar dando cabeçada no vidro iluminado até morrer queimada e tostá-lo por dentro. Ou pode ser que resolva voar até outra luminária. Mas, aí, a pendenga fica. Quem sabe, na próxima, dão sorte de serem o cravo e a rosa debaixo de uma sacada... Ele sai ferido, ela, despedaçada, ele tem um desmaio, ela põe-se a chorar... Mas, pelo menos, botam tudo isso a limpo de uma vez!

Quinta-feira, Outubro 11, 2007

Pós-parto

Acordou nua, jogada de mal jeito no chão frio e molhado. Foi assim que chegou ao mundo sofrendo de dor-de-cabeça-aguda. Antes, era tudo tão confortável... A temperatura sempre amena e os tons bem eqüalizados. Os sons agradáveis, os amores suaves e platônicos. Agora, aquele gosto de cerveja dormida na língua. E como lhe doíam os joelhos... Não tinha forças, mas teria que aprender a andar. Antes, não! Voava. Alto... Entre rimas e voltas. E agora... Aquela umidade nos cabelos. O frio a fazia tremer. Lábios arroxeados... Mas era normal. Quando chorar passa! Também teria que ser alimentada e cuidada pra minimizar as dores do novo cenário. Com o tempo, nem mais lembrança seria o tempo adormecido. E a presença prazerosa que lhe impregnava as narinas seria sonho, como uma dessas vontades de comer não-sei-quê. Agora estava por si. Por si só.

Domingo, Setembro 30, 2007

Vida cega

Quando essa dor passar, vou subir no muro, comer jabuticaba, tomar sol na cara e cerveja gelada. Quando ela passar, nem vou lembrar que, agora, quero gritar, jogar o corpo, pra que ele caia, e saia, e nasça outro.

Olhar o passado torna o desespero homeopático. Sei que, numa dessas tardes preguiçosas, aparece algum nó, flerte, luz dos olhos... E pode ser que o futuro não seja palavra doída. Cicatriz. Lá, ele-poesia vai ficar adormecido. Sonhando com tudo que podia ter sido.

Agora, vou chorar o samba não cantado, o tango não dançado... Vou morrer por saber que entre tarde, dia e noite, poesia se perdeu. Vida cega. Mas, quando essa dor passar, vou subir no muro, comer jabuticaba, tomar sol na cara... E entender.

Sábado, Setembro 22, 2007

Como se fosse

Adormeci, como que em teu abraço, ouvindo vozes e música. E entendi tudo o que disse. Ficou em mim teu se, como que canção. Dancei, como que em tua levada, ouvindo palmas e passos. Não entendi tua distância. Ficou em mim seu sim, como que não.

Bebi, como que do teu copo, ouvindo risos e histórias. Embriaguei canto, e mãos, e olhos, e riso. As palavras entorpecidas penetraram suavemente os ouvidos. Mas, depois, sóbrias, feriram a carne, como que teu colo. Embriaguei olhos, e canto, e riso, e mãos. As palavras entorpecidas soaram racionalmente claras. Mas, depois, sóbrias, feriram a pele, como que teu afago.

Bebi, como que da tua boca, ouvindo risos, histórias, palmas, passos, vozes, música... E entendi tua distância. Ficou em mim teu não, como que sim. Embriaguei mãos, e braços, e bocas, e pernas. As palavras entorpecidas se calaram. Em teus braços. Adormeci, querendo que fosse apenas como que em teu abraço. Como se fosse... Já era tarde.

Terça-feira, Agosto 14, 2007

Tango-Samba por mim

Faz algo por mim.
Mas faz agora!
Algo grande que te rasgue a alma,
Que te desordene a vida.

Um samba floreado.
Um verso entregue, rendido.
Abraço despedaçado...

Faz algo por mim.
E quero agora!
Algo grande que me abale a calma,
Que me destrua a pose.

Um beijo violento.
Um tango dançado, doído.
Calor angustiado...

Faz algo assim.
Vive, samba...
Queima, declama!

Algo por mim.
Tango, verso...
Beijo, samba!

Faz, que retribuo o sofrer.
Que retribuo...
Querer.

Sexta-feira, Agosto 10, 2007

Conta-gotas

Digo o que não quero e, dentro, grito. Não digo o que quero e, fora, choro. Choro o que não pode ser... Calo, escorrendo gritos do que lembro só. E que não é palavra. Então, não digo. Choro o que não deve ser... Fora, sinto... Dentro, quero e choro. Lembrar acalma meu instante. Só um instante.

Quinta-feira, Julho 26, 2007

Furacão

Acreditou que havia se cansado da cara permanentemente inchada, das olheiras até o queixo, de dormir e acordar pensando em amores doídos. Mas, não foi isso.

Distraiu-se e foi tomada por um furacão que atropelou suas opiniões, invadiu suas vontades e confundiu seus valores. Achou até que era o que queria... Mas, e a dor?

Tentou, tentou... Não doeu. É... Não pôde mais. "Vai embora furacão, me deixa respirar! Não posso assim! Tanto prazer e felicidade... Vai embora! E se voltar, traga uma estaca! E não tente me manter em seu olho... Tão protegida..."

Precisava que doesse em seus pulmões, que lhe cortasse as artérias, que esmagasse cada ventrículo. Precisava morrer por dentro a cada soluço. Viver de novo a cada lágrima.

Sonhando com um amor doído, admirou suas olheiras até o queixo e a cara novamente inchada. Sorriu satisfeita.

Quarta-feira, Julho 18, 2007

Ele-Poesia

As frases diziam tudo o que sentia, mas menos. Embaralhadas, diziam mais do que podia sentir. Amando cada vírgula, ele percorria os períodos, tateando as entrelinhas... Abraçou o mais forte que pôde a intensidade que fluía dali e quis ser parte da poesia. Foi uma lágrima que o desmanchou em papel. E, ali, misturado entre as letras, sentiu o êxtase de ser sentimento, ainda que em grafite.

Quinta-feira, Maio 03, 2007

Pijama

Aquela morenice... Gestos debochados, sorriso largo. Habilidade para tornar simples. Coração grande, caráter... Valores assim. Sinceridade. Até demais, morenice... Isso você não precisava dizer. Pude ver no seu pijama. Não precisava dizer. Já vou indo. E, pra trás, deixo o sorriso sincero, o pijama debochado, o caráter largo... Deixo os gestos grandes, coração simples, aquela morenice... E mesmo sem querer, talvez se perca entre lembranças bobas.

Quarta-feira, Abril 11, 2007

Chuva

A chuva lavou com força aquele instante que ainda não tinha acabado. As sensações conhecidas se diluíram... Estranheza. O mormaço que corria pelo corpo misturou-se com as gotas. Desconforto. O que era certo antes, a chuva lavou com força. Agora, era limpo e claro. Como água. Água da chuva.

Sexta-feira, Março 23, 2007

Analgésico

Preciso de um analgésico. Que acabe com essa dor. Nos ombros pesados, arranhados. Um analgésico para me reconhecer. Sorriso dolorido... Preciso de um analgésico. Dor... No abraço vazio, inflamado. Analgésico na veia para seguir em frente. Para me olhar no espelho. Anestesia geral.

Terça-feira, Março 20, 2007

Dois tempos ou mais

Depois do almoço, penso que posso transferir toda essa intensidade para o meu futuro que já não é. Intensidade que não é presente. É sonho. Querer. Muito. Pode ser querer passado. Mas já está tão distante. O futuro também. Pena. Mas, ainda me parece suave. E conforta. Pena. Não soube lidar com esse tempo. Trazia tanta paz e não soube esperar. O presente é outro agora. E, mais uma vez, é igual. Eu aqui. Mais uma vez, sem saber como lidar com esse tempo. Intensidade. Presente.

Domingo, Fevereiro 25, 2007

Breve

Perco o ar que me sobra por dentro. Quero gritar, só suspiro. A batida desse som me faz perder a voz que fala pelo corpo. Sussurro. A madrugada penetra por todas as minhas frestas e me confunde. Breve. Não quero nada além disso.

Sexta-feira, Fevereiro 16, 2007

Frango com Ervas

A idéia era dizer que estava grávida e queria tentar. Encontraram-se em um restaurante em que almoçaram uma vez, quando tudo ainda era leve. Ele chegou e pensou em dizer como ela estava linda, mas só conseguiu falar sobre o calor que estava infernal.

Ela tentou dizer sobre quando acontecera e o que estava por vir, mas pediu uma sugestão, apontando para o cardápio. Ele sugeriu frango com ervas. Era o prato mais famoso da casa, muito bem comentado e conhecido dos freqüentadores e pensou em dizer como ela lhe fazia bem.

Em seu ar preocupado, ela reclamou do trabalho, disse que tinha uns prazos estourando, mas nada de mais... E não falou dos planos que tinha pra os três. Ele, prático, deu uma solução pra o problema dos prazos e não lhe disse que nunca havia sentido algo assim.

O frango nem descia. Mas, ela disse que gostava de frango. E que adorava ervas. Não mencionou o bebê. Ele descrevia a consistência do frango e o sabor especial que lhe davam as ervas, pensando em como o sorriso dela era lindo e em como seria capaz de desejá-la a vida inteira.

Muitos compromissos, prazo, prazo... Pressa pra ir embora, pediram a conta. A gente se vê. Encontro esquisito, definitivamente não rola... Ela tirou, ele não ligou. E nunca mais.

Segunda-feira, Fevereiro 12, 2007

Culta e fera

Nunca acreditou em palavras por achar que podiam ter qualquer sentido. Ou mesmo, sentido algum. Não precisava delas e não lhe afetavam as coisas ditas, porque mais sabia por um sorriso, um piscar de olhos mais aflito. Podia detectar um leve contrair de músculo na mandíbula alheia, aquela tensão... Um andar inseguro, um aperto de mão confiante, um suspiro trêmulo. Diziam tanto...

Até começar a escrever... Descobriu um mundo tão fascinante de significados e possibilidades que ficou louca. Sua obsessão pelas palavras tornou-se grave a tal ponto que precisava saber tudo a respeito do que era dito. Mais adjetivos, mais advérbios, menos eufemismos... Talvez mais. Sinônimos não, porque se fossem sinônimos não seriam dois. Mas, com artigo antes, dava outro sentido e ela ficava magoada.

Não sentia mais nada ao ver um sorriso, um olhar e o tremor das mãos. Queria palavras e construções exatas. Queria o sentido gramaticalmente correto e ponto final. Só se interessava por vírgulas, travessões e pontos de exclamação. Não sabia mais ler um braço cruzado, um pé voltado para a direita. Substantivos, sintaxe, predicado, sujeito indeterminado... Descobriu em Aurélio sua salvação. Casou-se com ele e foi louca e feliz pra sempre.

Domingo, Janeiro 28, 2007

Nó outra vez

Como dói desatar um nó. Doem dos dedos, dói o nó. Dói pra quem não quer soltar... Como dói refazer um nó. Doem as pernas, dói a corda para dobrar ao contrário. Dói pra quem não quer refazer... Nó novo também dói. Dobra nova dói. Pode ser fita e fita. Pode ser fita e corda. Corda e fita. Fita marcada de nó de antes com nó de corda que quer mais fita. Como dói... Um nó.

Sexta-feira, Dezembro 29, 2006

Em 2007

Em 2007, quero saber que fiz algo importante, sentir que ajudei alguém. Quero me sentir útil e produtiva. Quero aprender mais e mais. Arriscar assuntos novos, mergulhar em novas danças, provar novas cores e coragem pra continuar meu cavaquinho.

Quero dormir sentindo o fuço da minha cachorra, pedindo carinho... Quero muitas risadas debochadas do meu pai. Almoço de domingo com todos à mesa. A mãe ensinando a receita... Meu irmão me cutucando. Amor e paz em família, como sempre foi.

Quero sorrisos lindos de tão sinceros, abraços apertados e sem fim, frio na barriga. Beijo que combina. Silêncio que conforta, saudade de um dia e juras eternas que logo se desfazem...

Quero cerveja com samba em mesa de bar. Velhos amigos que nem preciso dizer que amo. Novos amigos pra sempre... Piadas batidas e sem graça que matam de rir. Brigadeiro com banana, DVD sábado à noite. "Forrozim"... Quero praia, restaurante japonês. E tirar muitas fotos.

Vou me esforçar pra ter mais ânimo, pra topar mais coisas, pra ter menos preguiça. Vou viver cada segundo intensamente (não é muito minha cara), sem pensar muito no depois (essa é fácil!) e ser ainda mais leve do que já consigo ser...

Pronto! Pronta! Que venha 2007!

Quarta-feira, Setembro 27, 2006

Coração-retalho

Ele tinha o coração tão costurado que nenhum médico mais acreditava que podia estar em pé. E vivo, claro! Uma vez, levou quarenta e três pontos. Seu coração estava praticamente partido ao meio quando o resgate chegou. Foram horas de cirurgia, mas, milagrosamente, ele sobreviveu. Se fosse o único acidente, ah... Os doutores até entenderiam. Pontos limpos, bem feitos. Um verdadeiro trabalho artesanal. Mas, houve muitos outros. Três pontinhos aqui, dez pontinhos ali. Um ventrículo perfurado aqui, uma válvula machucada lá. Rapaz de sorte esse! Resta saber se o coração dele continua cumprindo suas funções. Não as vitais, porque essas, pasmem, os cardiologistas garantem que estão perfeitas! A dúvida é se ele continua aquecido, se continua aquecendo, como as velhas colchas de retalho... Mas, pensando bem, se ele não estiver, qual neste mundo estará?

Segunda-feira, Setembro 11, 2006

Falta

Quietude infernal. O que ata meus abraços? Prisão. Vai, mostra, chora! Choro eu... Palavras em nó. Não posso respirar. Chora você... O que me segura aqui? Impressão de paz. Por que não me liberta disso? Febre. Vai, solta, grita! Não me reconheço nessa falta. Não me reconheço assim... Em falta.

Domingo, Agosto 27, 2006

Luz dos olhos

A luz dos olhos é arrepio sem começo. Envolve e penetra a pele, o corpo. Vê de que cor é meu desejo. É luz intensa que me cega por longo instante. E aproveita pra ver de que cor é minha tristeza, só visível quando fecho os olhos. É luz morna que me deixa confortável pra saber de que cor é meu sorriso mais sincero. A luz dos olhos nem é mais luz e não me atinge diretamente mas, lenta e profunda, desafia, esgota. Aos poucos, torna-se hábito e me desarma. Sem que eu perceba, já sabe todas as cores da minha vida.

Domingo, Agosto 20, 2006

Moreno

Moreno requebrado, do sorriso tímido que não passa despercebido. Moreno do abraço firme, do ritmo certo, dos pés descalços. Moreno que enfeitiça a moça quando fecha os olhos assim.
Ah! Quando fecha os olhos assim...

Moreno balançado, do passo ajeitado que dança na chuva. Moreno do olhar distante, da graça leve, da mão gentil. Moreno que envolve a dama quando sorri assim.
Ah! Quando sorri assim...

Moreno encantado, do andar traquejado que atrai os olhares. Moreno do corpo suado, do cheiro de praia, da pele bonita. Moreno que seduz a menina quando balança assim.
Ah! Quando balança assim...

Quando Moreno vai embora, é pra um lugar distante, onde mora também a tristeza e a saudade. Moreno sempre leva alguém com ele. Não, Moreno, não faz assim...

Domingo, Agosto 13, 2006

Sem palavras

A exaustão tomou conta do seu corpo. Estava suado e dormente. Os olhos lacrimejantes tentaram dizer o que a boca não conseguia. Mas, eles não eram bons nisso. Então, as suas sensações nunca viraram palavras. Viraram encanto, que viraram afeto, que viraram amor. Sem palavras.

Depois, dor... Mais parecia um retalho. De amores... Mais um corte fundo. Tanto quanto os demais. Ou mais. Mas, era assim que se sentia vivo... Um corte após outro. Mais um aqui, mais outro ali. Mais uma cicatriz. Lágrimas nos olhos. Sem palavras, só amor, afeto, só sensações, só dormência e suor... Só exaustão.

Sábado, Julho 29, 2006

Quatro tempos - parte II

O presente não se tornou o passado que conheço. Entre passado e futuro, vácuo. O futuro já não me parece tão confortável assim. Vou caminhando e vejo muitas pedras para tropeçar, muitas portas para escolher. Às vezes, parecem iguais. E o presente não existe. São imagens soltas, palavras erradas, gestos que não se pode desfazer. Porque já são passado. Não meu passado distante, doce, suave. Um passado vazio e estranho. Um passado que não compreendo. Meu futuro? Ele me enganou. Talvez, nem chegue a acontecer. Antes, correrei para os braços do quarto tempo.

Quarta-feira, Julho 26, 2006

Quatro tempos

O passado eu já conheço. Foi um tempo que me encantou com palavras, com uma melodia sensível e sorriso fácil.

O presente é confuso. Consome, absorve, mas também assusta. Como estatística avançada, mas emocional.

O futuro é tranqüilo. Não me causa medo. Mas, não sei dizer o que me impede de buscá-lo. Não o conheço bem, mas por que não buscaria conforto? Não sei. O futuro é simples, é quase perfeito. Será?

O atemporal me resgata de tudo isso. Não deixa dúvidas. É fantasia, é brincadeira, é positividade. Ele me faz pensar muito sobre as coisas do mundo. Só que com convicção. E me faz chorar de alegria, euforia. E me toca fundo o coração... Ele canta, ele dança, ele ri e encanta. Ele me salva da realidade que tantas vezes parece cinza.

Sexta-feira, Julho 21, 2006

Roleta Russa

Se tivesse quatro balas na agulha, a arma engatilhada, com certeza iria no palhaço.

Se fossem quatro disponibilidades, não tenho dúvida de que minha escolha seria uma viagem para a Croácia, com tudo o que tivesse direito. Tudo mesmo! Que delícia!

Reduzindo a quatro tendências... Titubearia, mas ficaria com o chorinho carioca que é encantador. Talvez, ainda tenha muito a saber sobre isso.

No último caso, em se tratando de quatro possibilidades, teria que ficar com o arroz integral e a meditação. Não, por isso, pior. Quem pensou isso? Puro preconceito!

Mas, roleta russa é assim. É uma bala só. Você gira, gira... Vai saber no que vai dar!

Sexta-feira, Julho 07, 2006

Fidelidade Crônica

Sofria de fidelidade crônica. Os primeiros sintomas apareceram quando ainda era bem pequena e o principal deles era o foco. Ganhou uma boneca horrorosa por quem se apaixonou perdidamente... E foco. Esqueceu de todos os outros brinquedos e viveu uma linda história de amor incondicional. Aí, a boneca perdeu a cabeça. Relação difícil, muito foco... Perdeu literalmente. A menina sofreu um pouco, mas ser criança é uma maravilha! Não demorou muito pra se apaixonar pelo cachorrinho que ganhou da tia.

No jardim da infância foi a vez de um coleguinha de classe. Paixão platônica e foco. Todos estranharam a súbita mudança em sua personalidade. Estranha essa criança... Sorte que era jardim da infância, porque, no colégio, quando ficou obcecada pelo professor de matemática, foi foco demais... E bomba! Ele? Nem sabia que ela existia. Primeira desilusão. O menininho do jardim da infância? Mudou de escola. Ela chorou muito, mentiu uma dor de barriga. A mãe deu um chá de boldo e logo passou.

O problema começou a se agravar quando deixou de ser coisa de criança. Fidelidade crônica em adultos é um problema. E, no caso dela, não se restringia mais a amores incondicionais, paixões platônicas ou obsessões adolescentes. Foi assim com o primeiro namorado, com o segundo, com o terceiro. Até perder a cabeça pelo quarto. Lembrou da boneca. Ele foi embora sem nem explicar. Explicar o quê? Era nítido o problema. Foco.

Depois dele, a fidelidade crônica sofreu uma mutação. Não mencionei ainda que é um vírus? Pois bem, o que aconteceu foi que surgiu um novo sintoma. A fuga. Então, era foco e fuga. Foco e "não vai dar hoje". Foco e "você é muito legal, mas não estou pronta". Foco e "mas, ele usa tênis sem meia!". Foco e "ai, mas essa regata...". Era gravíssimo! Apesar de ficar totalmente apaixonada no primeiro "oi", não queria mais saber de contatos físicos. Virou praticamente uma planta. Uma planta focada que vivia murchando e morrendo de amor.

Um dia ficou farta. Resolveu procurar um acupunturista que diziam ser o mago das agulhas. Sim! Ele curava qualquer problema em cinco sessões. Qualquer um! Ela não sabia bem qual era o seu e foi ele quem diagnosticou. Fidelidade crônica - alfa (o "alfa" é da mutação com fuga... tsc, tsc... Muito pior).

E foi ele também quem a curou. Em cinco sessões. E foram cinco sessões para se apaixonar. Ele também era amante de cinema. Mais uma sessão e ela foi pras cabeças! Problema resolvido! Ah! Esse mágico das agulhas...

Tudo lindo. Sentia-se muito feliz. No dia seguinte, já foi uma vontade louca de se render aos encantos do chef francês do restaurante em que sempre ia tomar uma sopinha formidável com suas amigas. Segurou a onda por uma questão de ética. Voltou lá no outro dia... hehe. Estava realmente curada. Nada de culpa, nada de arrependimento, nem mal súbito... Nada! Fidelidade, nunca mais. Muito menos, crônica!

Domingo, Julho 02, 2006

Crise existencial?

Andei pensando sobre a falsa impressão que as pessoas podem criar. Sobre aquilo que existe por dentro de quem se (pensa que) conhece bem, mas que não aparece fora. Isso dá um medo! Tudo bem que minha imaginação é bem fértil... Mas pode existir de tudo ali, muito próximo, sem nem causar a mínima impressão! Que medo!

Se é assim com quem conhecemos, fico imaginando como deve ser com quem não se tem um maior aprofundamento... Essas pessoas com quem lidamos todos os dias, superficialmente... E aqueles que apareceram agora, então? Minha imaginação é bem fértil... Mas pode existir de tudo ali, ao meu redor, um psicopata, talvez! Sem causar a mínima impressão! Que medo (de novo!).

Talvez isso tenha a ver com a necessidade de auto-preservação. Uns não se incomodam em se abrir e mostrar tudo (ou quase tudo) o que são. Já outros preferem não se expor. Isso tudo bem. O problema é quando se expõe o que não se é. E mil vezes pior é quando você se pega fazendo isso! Minha imaginação é bem fértil... Mas pode existir de tudo aqui, dentro de mim... Nem quero pensar o quê! Que medo (de novo e de novo!).

Mas é compreensível. Diria até perdoável. As pessoas todas mudam o tempo todo no decorrer de suas vidas, anos, semanas, dias... Os geminianos mudam até de um segundo a outro! Então, quem disse que não é? Pode estar se tornando neste exato instante. E, talvez, até seja melhor.

Terça-feira, Junho 20, 2006

Família vende tudo

A televisão sai pela bagatela de quinhentos. Mas é de vinte e nove polegadas! Ok, se chorar um pouquinho, acaba saindo por duzentos. O vasinho de cerâmica da mamãe, apenas quinze. Descontei todo o valor sentimental. A panela de barro, feita pelas paneleiras do Espírito Santo, você leva por trinta. Tudo bem... Tem um rachadinho... Leva por vinte e dois e não se fala mais nisso.
A coceira nas costas do papai? Um abraço e pode levar. As manias da vovó, só por cinco beijos. O exagero da mamãe, um pouquinho mais caro... Vai te custar duas conchas das de feijão de amor. A visita do irmãozinho... Ainda estou pensando se vou vender.
Os sorrisos, os abraços, os momentos felizes, com certeza, não estão à venda, mas aceito como forma de pagamento. Estou fazendo uma poupança... Vou botar tudo num saco bem grande e usar em doses homeopáticas.

Terça-feira, Junho 06, 2006

No more comments

Agora, não quero mais saber de comentários no meu blog. Não que fossem muitos! Tá... Eram raros... Por isso mesmo!
Creio que esta raridade estava me tirando a inspiração! Digamos que o fato de sempre me deparar com um "0 comments" era um tanto broxante.
Eu sei, eu sei... Muita gente lê sem comentar.
Mas agora... Tchanammm... Eu sei que, mesmo que queiram, não poderão comentar... Ahn, ahn...? Que sacada!

Domingo, Abril 23, 2006

Moral da história

Estava na fila do caixa para 10 volumes do supermercado com uma amiga. O cara à nossa frente era um tipo deprimente. Aparência triste (ou algo muito pior). Comprava uma garrafa de 51, um saco de ração para gatos e tinha desistido de levar um pedaço de frango pronto. Eca!
Imediatamente, maldosa, comentei com minha amiga: "Nossa! Imagine a cena...". Aquela coisa entre amigas, nem foi preciso dizer nada e ela também imaginou a cena.
Quando olho pras nossas compras, vejo um creme para massagem corporal e um cacho de bananas... Que coisa!

Moral da história: Não imagine a cena! Você pode errar feio!

Quinta-feira, Abril 06, 2006

Fundeu

Minha cuca fundiu. Fundiu minha cuca. Cuca minha fundiu. Minha fundiu cuca. Cuca fundiu minha.
Muca cinha fundiu. Cinha fuca mundiu. Cundiu muca finha...
Funha mica cundiu. Finha muciu cuda. Munha fica cudiu...
Mnh cc fnd. Ia ua uiu... Apaputaquepariu!

Quinta-feira, Março 16, 2006

Historinhas

Uma pessoa muito amiga me sugeriu: "Por que você não sobrepõe histórias? O seu problema é que você sempre tem que por fim numa coisa pra começar outra!"

Eu acreditei nisso. E por umas duas ou três semanas, achei que fosse a solução para todos os meus problemas! Mas, o verdadeiro problema começou justamente quando resolvi colocar esta "tiuria" em prática.

Foi um tal de porquinho fugindo do lobo mau achando que era chapeuzinho vermelho, de vovozinha assar boneco de piche na maior amizade com a bruxa Malévola, de anão ficar preso no forno da bruxa malvada de João e Maria! Uma loucura! E a bela adormecida? Resolveu acordar por conta, virou serial killer e começou a atrapalhar todos os planos do Mickey Mouse! Até o Marcelo Marmelo Martelo apareceu uma hora me perguntando o porquê do leite não se chamar "suco da vaca".

Ué, Marcelo, não me faça perguntas difíceis! Eu não consigo abstrair desta maneira! Comigo a coisa é diferente: vou direto ao ponto, mato e resolvo o problema. Igual ao caçador que abriu a barriga do lobo mau e acabou com a história. Olha só eu acabando com mais uma!

Terça-feira, Março 14, 2006

Cicatriz

Mergulhou dentro dele e o viu como ninguém jamais tinha visto. Pôde pegar em tudo que normalmente se sente. E gostou até do que não era bom. E amou o que era horrível tão intensamente que morreu várias vezes por fora...
Depois, fora, procurou fragmentos dele em toda parte. Numa cor, num tom. Não encontrou em que tocar. Queria inteiro o dele. Não impressão, não sensação. Mas, estava ali, não tinha jeito. O dele que ficou e mudou o fora... Que marcou eternamente o dentro.

Sexta-feira, Fevereiro 24, 2006

Estranho

Tudo está estranho. Muito. Como nunca. E de novo.
Aparentemente é tudo igual. Mais sorriso, talvez. E mais lágrima também.
Mas, só percebe quem chega perto. E nem tanto assim...
É estranho bom. E dói também, é verdade.
Estranho, estranho...

Sábado, Fevereiro 04, 2006

Novelo

Depois que deixei rolar, parece que as coisas se desenrolaram. Acho que é isso. Deixar tudo leve desfaz os nós. Não que já esteja tudo desamarrado. Ao contrário, é um novelão! Não de novela, de novelo. Bom, isso não interessa, porque os dois cabem aqui. O que importa é que, agora, pelo menos, apareceu a ponta do emaranhado. Muito lentamente, com muita paciência, a linha vai se mostrando menos complexa. E, no fim, ainda descubro quem matou Salomão Hayala.

Domingo, Agosto 28, 2005

Mente vazia

A falta de inspiração está me matando. Faz tanto tempo que não atualizo meu blog que resolvi escrever só pra não me sentir tão culpada. É que, ultimamente, as coisas não andam muito inspiradoras mesmo. Claro que devo estar entrando no meu inferno astral! Mas também, não quero pensar nisso, porque, quando consciente, esta fase se torna tenebrosa! São os trinta chegando... Também não quero pensar nisso! As dívidas... Chega! Parei por hoje.

Terça-feira, Julho 19, 2005

Verdade

Talvez eu não seja quem você pensa que eu sou. Talvez não seja tão ética, tão justa, tão correta. Posso andar fora da linha, às vezes. Fora da linha. Sempre. Mas você só verá quando minha máscara cair. É de porcelana. Também pode quebrar. Numa pancada. É de papel. Pode queimar. Fácil. Como ódio. É de amor e pode secar. Quando não mais existir, você poderá ver meu sorriso quando te fizer chorar. E verá minhas lágrimas, se me perder no caminho e não puder voltar.

Sábado, Julho 02, 2005

Saindo do eixo

Ele estava deitado de bruços e sentiu a perna dormente. A visão embaçada lhe mostrou uma mecha de cabelos loiros encaracolados. Um cheiro nada familiar, mas bom. Tentou puxar o braço, mas estava preso por um corpo macio, quente, vivo. Com certo esforço, virou a cabeça e viu aquilo que o prendia. Uma barriga de mulata, linda, sonolenta. Foi quando começou a dar conta de onde estava, do que havia sido e da quantidade de desculpas a inventar.
Lentamente, virou e sentou, cuidando para não acordá-las. Observou a linda paisagem. Curvas suaves, cinturas delicadas, bundas de todos os tamanhos. Ficou imóvel querendo estender aquele instante o tanto quanto possível. Mesmo que impossível. Os cabelos castanhos da pele clara fizeram cócegas em seu pé esquerdo, mas ele agüentou para não estragar a linda pintura. Suspirou deliciosamente e adiou mais um pouquinho a dura realidade que estava por vir.

Terça-feira, Junho 28, 2005

Fora, fantoche!!

Será que não há possibilidade de agir de uma forma natural, sem manipulação, sem essa coisa fake? Por que adotar esse tipo de estratégia na vida pessoal? Na profissional, até é compreensível, porque, quando não se tem talento, é uma saída. Às vezes, é até pra quem tem. Mas na vida pessoal, emocional, sentimental... Ao meu ver, não há necessidade de tratar tudo como um grande jogo. "Eu tenho o controle". É bom ter controle, mas é muito bom não tê-lo. É recomendável ter controle sobre si mesmo, porque como já dizia meu velho avô, "Furum de bêbado não tem dono". Mas controlar tudo e todos? Controlar sentimentos? Pior... Manipulá-los. É triste.
Saber de pessoas e mais pessoas que levam a vida como uma grande representação teatral (no mau sentido da coisa) desanima muito. Eu sei que é muita inocência, mas queria poder não fazer parte da trama. É por isso que, cada vez mais, penso em ir pra Marte. Lá, com certeza não vou me deparar com meninas e meninos de madeira. Uns verdinhos, talvez. Mas falaremos aquela língua de quem quer se comunicar e ponto. Tenho certeza de que nos daremos bem. E se não tiver ninguém lá? Bom, aí, eu tirarei férias de mim mesma (1) e ficarei "numa relax, numa tranqüila, numa boa"(2).

(1) Thanks, Santiago Nazarian!!
(2) Essa todo mundo conhece (rs)!

Quinta-feira, Junho 09, 2005

Quadrilha
(Carlos Drummond de Andrade)

João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história.

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Ahn... Huummm...
Ahaa!! É isto!

Terça-feira, Maio 24, 2005

Invisível

Invisível é legal. Muitas e muitas situações pedem o "eu invisível". Quase todas, na verdade. Será que estou virando um tatu? Tatu-bola... Pode ser. Mas, eu me referia àquele tatu que entra na toca mesmo. Ou avestruz, que enfia a cabeça no buraco e acha que se escondeu, apesar daquele vento todo na bunda! É, acho que sou mais avestruz que tatu. Ok, discussão pra outra hora... O tópico do momento é o seguinte: têm horas em que eu gostaria de ser vista. Só que aí, não adianta lantejoula, purpurina, cílios postiços, salto de drag... Um farol na testa, talvez? Não! Nada é suficiente! Olha pra mim, porra! Perdi a paciência!

Sábado, Abril 30, 2005

Mal de libriano

Será que é? Ou não. Se sim, faço ou não? Se não, também não sei. Talvez fosse melhor nem saber. Mas, se não souber, como saber o que fazer? Não sei se faço ou espero. E se depender de mim? Mas, e se depender justamente de não depender de mim? E agora? Bom, vou adotar o velho "o que tiver que ser será"... Mas vá fazer a ansiedade entender isso.

Terça-feira, Abril 19, 2005

Plim!

Pato Patacas prometeu parar pra pensar pela paz planetária. Parou... Pensou: "Paca, papagaio, peru, perereca, pantera, pingüim, pintada, panda, paralelepípedo. Puts! Prego! Pataxó, picadeiro, preto, palmas, patati-patatá... Paciência, pacto, pão, parceria, política...". Pato Patacas pensa positivo, possui personalidade, porém precisa processar primeiro para poder persuadir pessoas. Perguntas?

Sábado, Abril 02, 2005

Carequinha é a PQP

Eu costumava ter como peça de roupa preferida uma bola vermelha no nariz. Esses assuntos de vestuário são assim. Tem roupa que a gente só usa porque ganhou de presente. Depois, com o tempo, ela fica tão confortável, que é praticamente automático escolhê-la. Quando se percebe, ela está lá, quase todos os dias, em quase todas as ocasiões, grudada na gente. Mas eu não gosto mais do meu nariz de bola vermelha. E, se ninguém percebeu ainda, eu já deixei de usar faz tempo.

Domingo, Março 27, 2005

Vai passar

Estou torcendo para que seja só mais uma fase chata. Daquelas que eu já estou acostumada, mas toda vez que vem, parece que vai acabar comigo. Não é falta de novidade. Mesmo o novo parece tão sem graça... É o modo de ver. Mas isto é coisa que eu não domino. É coisa que vem e sai, sem pensar, sem mesmo querer. Uma coisinha muito simples seria capaz de virar tudo para o lado oposto. Mas parece que ela não vem. Pelo menos, agora, não. E eu cansei de esperar.

Segunda-feira, Janeiro 31, 2005

Não deu...

Infelizmente não aconteceu o que eu queria, apesar de tudo correr de forma favorável. É engraçado como, às vezes, a vida dá uma rasteira e não conseguimos assimilar. Mas como disse meu querido irmão, aproveitando-se das palavras do "sábio Sr. Turcato", na vida a gente tem pequenos acidentes de percurso, grandes sustos e catástrofes... Isso foi só um pequenino tropeço... Ainda enfrentarei coisas piores na vida! Como eu amo esse menino! E bola pra frente!

Sexta-feira, Janeiro 21, 2005

Um passo

Estou muito perto que conseguir algo que achei que fosse impossível. É incrível como esse ano está sendo maravilhoso pra mim. Tudo bem, ele nem começou direito, mas as coisas estão se encaixando perfeitamente, pra todos os lados que olho. E tenho a sensação de que tudo vai continuar assim por um bom tempo. Só preciso aprender a ser menos ansiosa... Tudo tem sua hora.

Segunda-feira, Janeiro 17, 2005

Lucy in the Sky OF Diamonds

Eu não tenho tido muito tempo pra pensar nas coisinhas boas da vida... Toda minha energia voltada pra esse concurso. É como se quisesse, inconscientemente, afastar toda a possibilidade do novo. As coisas passam e não me causam nada. Acontece de tudo um pouco e eu aqui. Na mesma... Inerte. Mas tem um momento do meu dia em que isso muda. É pouco tempo. Uma hora, no máximo duas. Aí, percebo que não foi a vida que passou por mim sem me causar emoção. Não fui eu que evitei o novo. Ele simplesmente não tinha acontecido... Até agora. Pena que nem sempre a gente pode escolher o que vai acontecer. Nem determinar quem ou quando. Seria perfeito. Mas é bom me sentir assim. Porque me faz bem. Porque sei que foi simplesmente o acaso que demorou a vir.

Domingo, Dezembro 19, 2004

Presente de Natal

Só falta mais um pouquinho... Eu nunca deixei de duvidar e confesso que sempre achei interessante esses papos de mandalas, cristais, rezas pro santo, mentalizações, velas pro cosmos e conspirações do Universo. Mas agora eu acredito! Acredito que o impossível pode acontecer. Porque aconteceu bem na minha cara! E já que é assim, só mais um impossivelzinho, vai, santinho! Só mais um... E tudo estará resolvido! Pode ser Papai Noel, Oxum, duende, Santo Espedito, Ogum, fadinha, Santa Catarina, São Jorge, Saint Germain... Só peço esse presentinho de Natal! Natal, Ano Novo e o resto da minha vida!!!! Salve!

Sábado, Novembro 20, 2004

Alguém acha sexy uma mulher com braços de He-man? Estou preocupada! No ritmo em que as coisas vão, daqui a pouco estarei perto disso... Corrida, spinning, musculação, natação e capoeira. Preciso fazer o impossível em duas semanas e meia. Além das dores, do inchaço e do pequeno mal súbito que tive hoje, após o massacre na água, corro o risco de ficar com aquele pescoção da Joana Prado anabolizada! Cruzes! O que a gente não faz pra passar no teste da "poliça"!!!

Segunda-feira, Novembro 15, 2004

Out of control

Definitivamente, as coisas NÃO acontecem por merecimento. Acontecem por acaso. Mesmo. É que, quando acontecem, a gente tenta encaixar os fatos como num quebra-cabeças, para que tudo pareça justo e correto. O bom merece muito. O mau merece um castigozinho. E o filho da puta... Ah! Esse merece tostar no inferno! Bom se fosse assim. Mas a realidade é que quando a gente se depara com uma pessoa recebendo algo que nem merecia tanto, pára e pensa: "Por que ele?". E aqueles que ralam pra caramba e nada? Nem uma migalha de felicidade? Realmente não há com que se preocupar. As coisas vão acontecer (se tiverem que acontecer), faça você, ou não, algo a respeito.

Quinta-feira, Novembro 11, 2004

É... ontem fiquei sabendo do resultado do segundo concurso que prestei. Apareci na lista dos aprovados, mas minha nota foi exatamente a de corte. Isso significa que minhas chances são poucas. Na mesma lista estão candidatos em número de três vezes o total de vagas.
Desse mundo de gente, já vi vários que bombaram na redação (que bom!! hehehehehe). Os que continuam na briga, a menos que quebrem a perna no dia do teste físico, a menos que tenham um mal-estar súbito no dia do exame psicológico, que sejam loucos e não saibam, que tenham imprevistos inadiáveis no dia do exame médico (isso pra não ser mais malvada), que sejam mulheres, e mulheres, e mulheres, pra não conseguirem fazer a barra fixa... Puts! A menos, a menos, a menos... Quanta coisa!! Bom, pelo menos na redação, que é o primeiro critério de desempate, eu fui bem. Agora vai mais um mês de agonia... Porque, por mais que seja mínima, eu tenho alguma chance. Mas pelo menos valeu pra ver que dá pra passar. Estudar um pouquinho mais? Vai bem, não?!!

Sábado, Outubro 16, 2004

Parei com essa frescura de blog suspenso. Mesmo porque não consigo ficar muito tempo sem abrir a boca. Além disso, o motivo da pausa também nem é mais tão importante assim. Eu nem sei mais o que é prioridade. Inferno astral! Às vezes é melhor ficar quieta. Falar demais estraga... Não sei nem do que estou falando!

Segunda-feira, Outubro 11, 2004

Ai, ai...

Quinta-feira, Outubro 07, 2004

(Essa já é a terceira! Sabia que não iria agüentar!)

Metade importante

Do mesmo jeito que as coisas ruins vêm aos montes, as coisas boas também. Agora, eu sempre ouvi que as coisas boas trazem mais coisas boas porque, quando se está feliz, atrai-se mais coisas boas e assim por diante. Energia, sabem? Mas, como funciona isso quando se está triste, no fundo do poço mesmo e, de repente, vem uma avalanche de coisas boas?

Seria responsável por isso um resto de pensamento positivo que está pela metade lá no inconsciente (mesmo no meio da tempestade de coisas ruins) que toma as rédeas e atrai sua outra metade, formando um pensamento positivo inteiro, unzinho, pequenininho, mesmo que em sonho ou numa fração de tempo e ele, por si só, é tão mais forte que todos os outros negativos que atrai todas as coisas boas? Ufa!

Teorias à parte, eu estou feliz!

Terça-feira, Agosto 24, 2004

Interrupção Número 2 - Mas, já?

JANELA
(Flávia Virgínia)

Janela...
Falei que conheci um rapaz?
Não disse, mas conheci.
Belíssimo.
Sorriso que nunca vi.
E que eu não vou me esquecer jamais.
Seu sorriso é uma janela.

Falei das alegrias que trás
Um cara que ri assim?
Seríssimo.
Quando ele sorri pra mim
Me abre dimensões ancestrais.
Ele é minha janela.

Só sei que é pessoa
Por causa desse sorriso.

Falei que hoje ele vem pra cá?
Não disse, mas sei que vem.
Simplíssimo:
Meu coração vai quebrar,
Batendo rápido como um trem
E eu o espero na janela.

Só sei que ele é pessoa
Por causa desse sorriso.

Segunda-feira, Agosto 23, 2004

Interrupção Número 1
Eu sei, ela sabe, ele sabe.
Nós sabemos, eles sabem, elas sabem.
Ninguém fala.
Todos podem dormir.

Sábado, Julho 17, 2004

Fui comprar cigarros

Este blog está temporariamente suspenso, por motivo de força maior.
Bem... Não é tão maior assim... E também o temporariamente é algo em torno de 3 a 4 meses, talvez, com breves interrupções.
Eu sei que minha audiência de 59.348.287 leitores ficará muito triste!! Mas, fui! Tchau!

Segunda-feira, Julho 12, 2004

Enfim, feliz.

Extasiado. Era como se sentia ao caminhar pelo estreito caminho nas alturas. Quanta felicidade! Os sons lhe soavam como música. Todos eles. Quanta coisa foi boa! A maioria delas. Este era o momento certo para acabar sua história, de modo que tudo fosse perfeito. E deixou deslizar o pé do viaduto metálico. Voou. Quando seu corpo bateu no chão, nem sentiu, porque já estava morto de tanta felicidade.

Quarta-feira, Julho 07, 2004

É... Assim é a vida .. ... ... ... ... ... ... ... ...
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Terça-feira, Junho 29, 2004

Macaco quer chumbo

Toda sala de aula tem aquele gordinho mala, caras-e-bocas. Não por ser gordinho, mas sim, caras-e-bocas. A minha não era diferente. Todos os dias, tinha que me deparar com o rechonchudo que fazia expressões faciais avantajadas toda vez que lhe perguntavam alguma coisa. E quando não lhe perguntavam também.

O pimpão sempre tinha uma observação, um comentário, um adendo. Adendo era o pior. Mas ele sempre queria dar uma "pincelada" e não havia quem o convencesse de que "não, aquilo não era legal!". Sabia tudo, sobre todos os assuntos, principalmente sobre os quais ninguém pedira sua opinião. Como era irritante o bolinha!

Mas tinha uma coisa nele que conseguia me tirar do sério. Era aquela risadinha. Um risinho medonho que entrava no cérebro e fazia doer até o último neurônio. Não era pelo barulho, pouco intenso, talvez fosse justamente esse o problema. Mesmo em baixíssimo volume, as gordas cordinhas vocais vibravam numa freqüência que me fariam ouvir o seu grunhido até se estivesse no Japão.

Um dia, levei uma metralhadora para o colégio. Tenho certo em mim que tentei me controlar. Ato que se tornou impossível a partir do momento em que constatei que, justamente naquele dia, o jubarte estava imbatível com seus apartes, seus veja-bens e a insuportável risadela.

Foi no meio da aula de Geografia que me levantei, mirei o gordo e atirei. Acertei em cheio! E como fiquei feliz! Mas nunca tinha pego numa metralhadora antes. Como pula essa coisa! Saiu atirando para todos os lados, fora do meu controle, resultando em nove feridos e onze mortos, incluindo a professora. Viu só? Castigo! Sempre protegendo o boínha.

Instantes depois, com a chegada da polícia e da imprensa, os depoimentos dos amigos, familiares e serventes da escola, a meu respeito, seriam: "Ele sempre foi um menino tão bom!". Ou então "Nunca fez mal a uma mosca sequer!". Moral da história: Gordo que muito ri, quer chumbo. Não, não. Gordo que muito ri, dá bom dia pra Dragão de São Jorge... Ou seria cavalo? Talvez macaco?

Quarta-feira, Junho 23, 2004

Castanho Paixão

- Castanhos. Mas não um castanho qualquer. Um castanho que, mesmo castanho, é multi-cor. Castanho que dispara amarelo ouro, amarelo canário, miolo de margarida. Castanho incrível! Irradia tons de lilás, verde e prata como o movimento das asas do beija-flor. Castanho azulado, castanho dourado, safado. Não posso esquecer que tem um certo preto. Porque é castanho sóbrio, castanho sério, discreto. Mas é também castanho quente, castanho sarcástico, malicioso. Castanho que eu adoro tanto. Castanho chocolate, castanho mel, açúcar mascavo. Castanho delícia!

- Tá, tá, Marcinha, eu só perguntei a cor dos olhos dele! Quer parar de viajar e me falar do resto!

Terça-feira, Junho 22, 2004

Flerte

Voz macia penetra o ouvido dela, vibrando pelo corpo. Ele não precisa tocar, mas encosta. Ela, moleza... Lábios, mãos, corpo... Ela consciente de que tudo está ali, sem olhar pra não perder o controle. Voz macia penetra o corpo dela. Sensações... Ele, mãos aqui e ali, sem saber, sem querer. Sentimento mútuo, controle dela. Pensa no beijo que podia ser... na língua quente tocando, tocando... Voz macia penetra a alma dela. O desejo vem de dentro dele, pode passar pela pele. Invade e toma conta de tudo. E nela, esta sensação fica por dias e dias, deixando um bem-estar que vai evaporando muito lentamente, quase imperceptível... Finalmente, vai embora sem parecer perda.

Sábado, Junho 19, 2004

Será o fim?

Sabe quando você perde o tesão? Acho que isso aconteceu comigo. Estou me cansando deste blog. E o mais estranho é que não faz muito tempo que estou com ele. Vou confessar. Apareceu coisa mais interessante na minha vida. Uma hora isso ia acontecer. Mais cedo ou mais tarde, sempre aparece algo mais interessante e pronto, acaba o tesão. Será que dar um tempo adianta? Sei não... Esse negócio de dar tempo é meio furado! Ou gosta ou não gosta, não dá pra testar sentimento. Hummm... tomar decisões definitivamente não é o meu forte. Acho que vou deixar pra ele decidir. Vou maltratá-lo até que se canse de mim. Talvez dê certo. Mas não sei também se vou agüentar essa situação. Pedir ajuda aos amigos nessas horas é a pior burrada. Eles nunca sabem o que se passa na intimidade. Tenho que decidir por mim mesma. Em breve, em breve. Agora não.

Domingo, Junho 13, 2004

Vingança não Intencional

Todo mundo tem seu ladinho mau. Podem acreditar! Nem que seja muito pequenininho, mas tem. Até as pessoas mais bondosas às vezes se desvirtuam pelo simples prazer de fazer uma coisa ruim! Ruim pra quem, cara pálida? Só se for pra outro, porque pra mim foi muito bom! Eu achava que não era capaz de ter esse tipo de sentimento. Mas pasmem! Eu sou!! E, além de tudo, sem culpa... Um certo estranhamento talvez, mas nada que abale minha vida. Ok, talvez dessa vez não conte porque não foi intencional, muito menos calculado. Mas que serviu pra me mostrar como esse sentimento é delicioso, ah, isso serviu...

Quinta-feira, Junho 10, 2004

Não tenho escrito muito ultimamente... Não por falta de tempo. Talvez por falta de idéias... de vontade. Hoje, resolvi escrever, mas não estou conseguindo. Porque a tristeza, em vez de ser inspiração, faz com que eu me sinta inerte em relação a tudo... Que droga! Odeio me sentir assim. Os motivos nem são tão importantes... mas me consomem. É incrível como tudo está indo muito bem e basta uma coisinha dar errado que todo o resto desaba... aí vem uma avalanche de coisas ruins, uma atrás da outra... Ainda bem que isso também passa!

Sábado, Junho 05, 2004

Lengo, lengo, dengo...

Lindo. Mexe o corpo tão bem. Linhas dos ombros perfeitas. Suor correndo pelos braços, pelas costas... E o ritmo não pára. Pega com força, conduz, faz o que quer. Olha, encosta, domina. O ritmo não pára... Cabelos molhados, barba por fazer, cordão no pescoço. Gira, gira, gira... Olhos fechados, sentindo... Sentindo o ritmo, o próprio corpo, a música. Sorriso alucinante... Beijo na mão... Até mais...

Quarta-feira, Maio 26, 2004

Ontem, meu irmão ligou em casa xingando todo mundo. "Vão pra puta que pariu! Eu tô puto!! Preciso xingar alguém! Que merda! Tô de saco cheio! Vão cagar todos vocês"... Como vocês podem ver, super fino. Não deram cinco minutos, ele ligou de novo: "Meu... Fui assaltado... O cara pôs a arma na minha cara! Levou tudo, minha carteira com cartões, documentos, meu notebook, tô fodido... Saco, tenho que ir fazer B.O., agora...". Mas aí, o inacreditável aconteceu... Não deram cinco minutos, novamente, e o telefone tocou. Era ele de novo: "Meu, bati o carro...". Existe alguém mais azarado que ele neste planeta? Ah! Esqueci de dizer que, dois dias antes, ele tinha perdido o celular...

Sexta-feira, Maio 14, 2004

Ok, ok... sei que a maioria não gosta de forró, talvez até por não conhecer direito o legítimo pé-de-serra... Mas, enfim, eu não pude resistir a apresentar este CD maravilhoso no meu blog... No momento, é minha trilha sonora: Trio Nordestino com participações especiais de Alceu Valença, Lenine, Elba, Dominguinhos e outros... É daqueles CD's que a gente escuta todos os dias, até enjoar... Sem preconceito, heim?!! Cultura Brasileira!! Maravilha, maravilha...

Quarta-feira, Maio 12, 2004

Desencontros sempre acontecem e a gente não entende o porquê. Muitas vezes o acaso parece jogar contra. Que acaso que nada! A culpa é da comunicação ou a falta dela.
O mundo "internético", por exemplo, é sensacional. Tem suas inúmeras facilidades e é realmente maravilhoso poder se comunicar com seu amigo colombiano que mora em Quebec. Mas ainda não é um sistema perfeito. A gente sempre fica se perguntando "Será que meu e-mail chegou". E ainda pode usar a desculpa "Não... não recebi..." se não teve interesse em responder. A gente nunca sabe se levou um fora ou se foi mais uma vez o acaso (entende-se falta de comunicação) jogando contra. É porque, justo naquele dia em que esperava um e-mail importante, seu e-mail pode não ter funcionado. Mesmo.
Mas não culpo as facilidades "internéticas"... Nos tempos da minha avó, as cartinhas e bilhetes já sofriam desvios, seja do acaso ou da sabotagem alheia. O melhor mesmo é o olho no olho. Comunicação sem intermediários, que ainda assim, corre o risco de o receptor desenvolver uma má interpretação.
É, acho que não tem jeito. Acaso, acaso...

Terça-feira, Maio 11, 2004

Eu sempre tentei seguir aquela conhecida frase: "Tudo que sua mente constrói, se torna realidade."
Liga, liga, liga. Liga agora! Vai ligar, vai ligar... Vai, cassete! Liga. É, agora!
Hummm, acho que não. Vai sim... liga, liga, liga... Claro que não ligou.
Vamos lá! 03-08-16-38-45-56. Vai, uma bola de cada vez. Três. Vamos, três. Três, três, três, três, três, três, três. Isso. Agora oito!! Vai, vai. Oito, oito, oito, oito. Muito bem! Ganhei, ganhei, ganhei! Tenho certeza!!! 03-08-16-38-45-56!! 03-08-16-38-45-56... Cinco milhões no meu bolsinho. Cinco milhões! Deixa ver o resultado... Hummmm. 10-27-28-39-47-49. Puts! Nenhunzinho!!!! Falta de sorte!
Não!! Não vem falar comigo. Eu não quero esse... Não, não, não, não. Não olha pra mim! Não estou aqui... Lá, lá, lá... Não, ai, não, cassete! Oi, Agnaldo... Tudo bem com você?
Por isso, de hoje em diante, mudei meu modo de pensar: Ele não vai ligar! Eu não vou ganhar na Megasena e o Agnaldo me ama. Agnaldo lindo... Não pode me ver que corre pra falar comigo. E eu adoro isso... É tudo que eu quero da vida!

Domingo, Maio 09, 2004

E TAMBÉM DIA DAS MÃES!!!
Fuçando nas minhas gavetas, achei uma redação que fiz na época da escola e resolvi transcrevê-la aqui pra homenagear minha mamy.

Flor de Mãe


Sua imagem me transmite imensa tranquilidade. É tão feminina, delicada, mas apesar de toda a ternura, tem raízes fortes que lhe dão solidez. Quando se vê diante de ventos fortes, parece que não vai agüentar tal força sobre si. Mas quando eles se acalmam, ela novamente se levanta e está lá, linda, vistosa, com sua cor viva e intensa. Eu ainda não havia nascido quando ela passava pela primavera, mas tive o prazer e a sorte de presenciar toda sua passagem pelo verão. Agora, as pétalas já não me parecem tão firmes, tão vistosas... Estes pequenos sinais, aos poucos, anunciam a chegada do outono. Tenho muito medo da chegada do inverno, quando perderá sua força, murchará e se desprenderá do chão para sempre.

Quinta-feira, Maio 06, 2004

Eu estou me esforçando... Ontem fui até a academia disposta a participar de uma aula de spinning - dessas que você faz pra ver se gosta. Vesti a roupa adequada pra ginástica, levei uma garrafinha de água, no pique! Cheguei lá e não pude participar. "Só vai poder ver, porque você ainda não fez avaliação física" e podia morrer do coração. Era bem capaz que isso acontecesse, porque estou há pelo menos uns seis meses sem fazer absolutamente nada. Bom, eu estou de prova que queria muito fazer a aula e não me deixaram. Isso é o que importa.

Terça-feira, Maio 04, 2004

Hoje resolvi aproveitar o fato de não ter horários, obrigações e fui ao shopping. Tem que ter um lado bom de não fazer nada da vida... É que dei uma arrumada no meu armário e vi uma blusa que eu gosto muito desfiada... Apesar de odiar shoppings, não tive escolha. Precisava comprar alguma coisa pra substituir. A primeira sensação desconfortável veio quando eu comecei a olhar as vitrines e vi uma blusinha, simples, nada de mais, só que tinha uma etiqueta com os números 298. "Será que o preço é 29,80? Esqueceram a vírgula... É porque 2,98 não pode ser." Logo ao lado uma camisetinha de algodão com uma aplicação em silk e outra etiqueta 159. "Não pode ser 15,90... essa loja é cara....". Gente!! Eu acabei de descobrir que estou pobre!!!! Acho que agora eu faço parte da tal classe média-média-B+1. Aquela que anda de Celta, usa celular pré-pago, estaciona na rua em vez de usar o Valet, e por aí vai.
Conformada com o fato, acabei nas Lojas Renner que, quando a gente fuça bastante acaba achando uma coisinha aqui, outra ali. Mas aí veio a segunda cutucada no meu coração... e dessa vez, pegou pesado. Percebi, que não entrava em nada M. Tive que levar tudo G... Como assim? Será que eu engordei tanto e não percebi??
É... a gente engorda, empobrece e não se dá conta. Um belo dia, por causa de uma blusa desfiada, tudo fica tão claro de repente...

Domingo, Maio 02, 2004

Tem dias em que a cabeça está a mil, mas quando tentamos escrever, não sai nada. Hoje estou assim. Cabeça pesada, uma chatice no ar... Juro que não é ressaca! Tudo me parece sem graça e chato. Eu queria colocar isso pra fora, escrever algo que preste... Mas até isso é chato. O que me resta? Desistir e parar de blá, blá , blá... Não vai acontecer nada mesmo.
E viva a rabugice!!!

Quinta-feira, Abril 29, 2004

Você já parou para pensar em como o ócio é o caminho para o "além da imaginação"? O primeiro dia de ócio é ótimo. O cara pensa: "Que supimpa! Vou descansar um pouquinho, depois correr no parque, aproveitar pra comprar umas coisinhas que estão faltando, dar uma geral no meu armário, sair pra tomar um chope com os caras. Se der, até vou visitar o Tato, que faz tempo que não vejo.". Nossa! Quanta disposição! E até pode ser que aconteça isso mesmo. No segundo dia de ócio, a coisa muda um pouquinho de figura: "Ai, que preguiça... acho que vou deitar um pouco no sofá, porque a cama já está me dando dor nas costas. Eu queria tanto dar uma caminhada hoje... é saudável... mas não sei se vou conseguir.". É claro que não consegue: "Mas também vai passar um filme tão legal agora à tarde...". . Graças a Deus, o fim de semana tem só dois dias, porque a coisa pára por aí. Às vezes até se reverte, porque a pessoa fica desesperada com a aproximação da segunda-feira e acaba se animando, no finalzinho do domingo, num ato desesperado para aproveitar os últimos segundos do ócio saudável. Mas se o ócio continuasse, como um fim de semana sem fim, seria um desastre! O terceiro dia seria: "Essa cama está boa. Acho que hoje vou ficar aqui. Preciso ler umas coisas... É! Vou ficar aqui.". E não é que o sujeito se levanta duas ou três vezes durante o dia todo só para comer uma banana ou para suas necessidades biológicas? Inacreditável. No quarto dia os pensamentos começam a se confundir: "Será que eu já tomei banho hoje? Acho que foi de manhã. Eu não tô bem lembrado porque eu dei aquela dormida depois do almoço... Aliás, que almoço horrível... preciso fazer compras... amendoim japonês não é muito saudável...". Aquela cara de doente, cabelo oleoso, a roupa que não tira desde o dia anterior e vai continuar vestindo até sabe-se lá quando. Do quinto dia em diante, é só esperar para que cresçam pêlos, unhas, presas e que o cara se pendure na sacada do seu apartamento, pelado e uivando desesperadamente.